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Meio
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A
problemática das áreas contaminadas no Estado de São Paulo
---O solo foi
considerado por muito tempo um receptor ilimitado de materiais descartáveis,
como o lixo doméstico, os efluentes e os resíduos industriais, com base na
suposição de que este meio apresenta uma capacidade ilimitada de atenuação
das substâncias nocivas presentes, que levaria ao saneamento dos impactos
criados. Essa capacidade, como ficou comprovado, é limitada.
Esse fato, associado ao grande desenvolvimento industrial ocorrido no Estado de
São Paulo na segunda metade do Século XX, sobretudo em uma época anterior ao
advento da gestão ambiental, quando não eram adotadas medidas preventivas,
resultou no surgimento das áreas contaminadas.
Uma área contaminada pode ser definida como um local onde há comprovadamente
poluição ou contaminação, causadas pela introdução de substâncias ou resíduos
que nela tenham sido depositados, acumulados, armazenados, enterrados ou
infiltrados, de forma planejada ou acidental. Nessa área, os poluentes ou
contaminantes podem concentrar-se no ar, nas águas superficiais, no solo, nos
sedimentos, ou nas águas subterrâneas. Os poluentes ou contaminantes podem
ainda ser transportados a partir desses meios, propagando-se por diferentes
vias, como por exemplo o ar, o próprio solo, as águas subterrâneas e
superficiais, alterando suas características naturais ou qualidades e
determinando impactos negativos e/ou riscos sobre os bens a proteger,
localizados na própria área ou em seus arredores.
Segundo a Política Nacional do Meio Ambiente (lei 6.938/81), são considerados
bens a proteger :
- A saúde e o bem-estar da população;
- A fauna e a flora;
- A qualidade do solo, das águas e do ar;
- Os interesses de proteção à natureza/paisagem;
- A ordenação territorial e planejamento regional e urbano;
- A segurança e ordem pública.
Nem todas as áreas contaminadas representam um risco para o meio ambiente ou
à saúde humana. Um aspecto fundamental, para a configuração de risco, em
uma área contaminada, é o uso e ocupação do solo no seu entorno. Um risco só
existirá se as concentrações de contaminantes excederem determinados limites
considerados aceitáveis e se existirem receptores sensíveis e a possibilidade
de um evento adverso.
Como ocorreu nos países desenvolvidos, os problemas de contaminação do solo
no Brasil começaram a aflorar na década de 70, mas se intensificaram nos últimos
anos com a descoberta de depósitos, usualmente clandestinos, de resíduos químicos
perigosos.
A CETESB - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, órgão vinculado
à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, vem desenvolvendo o controle
preventivo e corretivo de fontes potencialmente poluidoras do solo desde a década
de 70 e atendendo a casos de áreas contaminadas desde o início dos anos 80.
Uma das ferramentas empregadas no gerenciamento de áreas contaminadas é o
Sistema de Cadastro, que recebe informações sobre as áreas potencialmente
contaminadas, as áreas suspeitas de contaminação e as áreas comprovadamente
contaminadas.
O Sistema de Cadastro vem sendo alimentado com informações sobre os locais
onde a CETESB tem atuação voltada à identificação e remediação de áreas
contaminadas, como subsídio ao controle ambiental, a reutilização do solo e
ao planejamento urbano.
Os Quadros e Figuras apresentados a seguir revelam a distribuição das áreas
contaminadas cadastradas no Estado de São Paulo, por atividade e localização.
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| Áreas Contaminadas no Estado
de São Paulo - Maio de 2002 |
| Região/Atividade |
Comercial |
Industrial |
Disposição de
resíduos |
Postos de
combustível |
Outros |
Total |
| São Paulo |
3 |
9 |
3 |
65 |
1 |
81 |
| RMSP - outros |
1 |
23 |
5 |
48 |
2 |
79 |
| Interior |
2 |
39 |
1 |
14 |
3 |
59 |
| Litoral |
1 |
11 |
3 |
6 |
0 |
21 |
| Vale do Paraíba |
0 |
12 |
0 |
3 |
0 |
15 |
| Total |
7 |
94 |
12 |
136 |
6 |
255 |
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| Áreas Contaminadas no Estado
de São Paulo - Outubro de 2003 |
| Região/Atividade |
Comercial |
Industrial |
Disposição de
resíduos |
Postos de
combustível |
Outros |
Total |
| São Paulo |
19 |
28 |
14 |
250 |
1 |
314 |
| RMSP - outros |
7 |
45 |
10 |
103 |
2 |
167 |
| Interior |
20 |
56 |
15 |
63 |
6 |
150 |
| Litoral |
1 |
19 |
11 |
44 |
4 |
79 |
| Vale do Paraíba |
1 |
14 |
0 |
4 |
0 |
17 |
| Total |
48 |
162 |
40 |
464 |
13 |
727 |
| Outros: Inclui contaminações por
acidentes ferroviários, rodoviários, em dutos e atividades de serviço. |
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Para a
distribuição das áreas contaminadas foram consideradas as seguintes regiões:
- São Paulo: inclui as áreas contaminadas da Capital do Estado;
- RMSP - outros: refere-se às áreas contaminadas dos 38 municípios da
Região Metropolitana de São Paulo, excluindo-se a Capital;
- Litoral: Está relacionada às áreas contaminadas dos municípios
localizados no Litoral Sul, na Baixada Santista, no Litoral Norte, além
dos municípios de Barra do Turvo, Jacupiranga, Pariquera-Açu, Miracatu e
Registro;
- Vale do Paraíba : Inclui os municípios do Vale do Rio Paraíba e da
Mantiqueira; e
- Interior: Os municípios não relacionados anteriormente.
Verificou-se no período decorrido entre maio de 2002 e outubro de 2003 um
acréscimo significativo no número de postos de combustível inseridos na
listagem de áreas contaminadas. Tal fato reflete a atividade de
licenciamento dessas empresas, empreendida pela CETESB, quando se exige a
avaliação de passivos ambientais para os postos de serviço existentes
antes da vigência da Resolução CONAMA 273.
A ação corretiva exercida pela CETESB sobre atividades econômicas específicas,
como as bases de combustíveis, também mostraram, como reflexo, aumento no
número de áreas contaminadas conhecidas no estado. |
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| Distribuição
por atividade |
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| Distribuição
por atividade |
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| As Figuras apresentadas abaixo revelam
a distribuição das áreas contaminadas por estágio de atendimento,
considerando-se as fases de gerenciamento adotadas pela CETESB. |
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| Distribuição
por estágio de atendimento |
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| Distribuição
por estágio de atendimento |
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Verificou-se que houve acréscimo significativo no número
de áreas com proposta de remediação ou com remediação em andamento, de
145 para 312 respectivamente. Podem ser citadas nesta categoria as áreas
ocupadas pela Esso Brasileira de Petróleo Ltda., localizada no bairro da
Mooca, em São Paulo, o terreno que era ocupado pela Favela Paraguai, na
Vila Prudente, também na Capital, a Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda, em
Sumaré, etc.
Já os locais onde houve acidente com derramamento de produtos químicos no
Anel Viário de Piracicaba, onde se verificou lançamento de resíduos sólidos
da BASF, no bairro Iguatemi, em São Paulo, o local denominado PI-6 em São
Vicente, podem ser citados, dentre outros, como exemplos de áreas com
remediação concluída.
A Figura abaixo demonstra as informações disponíveis neste site.
Posteriormente, são tecidas observações sobre o preenchimento e a
compreensão dos dados disponíveis. |
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Uma área é
considerada contaminada quando, após uma investigação confirmatória,
isto é, amostragem e análise química de solos ou águas subterrâneas, são
detectados valores de concentrações de contaminantes superiores aos
valores de intervenção estabelecidos pela CETESB ("Relatório de
Estabelecimento de Valores Orientadores para Solos e Águas Subterrâneas
no Estado de São Paulo"; CETESB) ou a presença de fase livre
do contaminante (gasolina, solvente, etc).
As áreas constantes do cadastro são
classificadas da seguinte maneira:
Contaminada ou Com indicação para investigação
detalhada quando ainda não foi realizada a
investigação detalhada;
Avaliada sem proposta de remediação
quando já possui confirmação da contaminação e além disso já foi
efetuada uma investigação detalhada, parcial ou completa, aprovada ou não;
Avaliada com proposta de remediação
quando além da confirmação da contaminação e da investigação
detalhada, também já foi apresentada uma concepção e/ou projeto de
remediação, parcial ou completo, aprovado ou não, implantado ou não;
Remediação concluída
nos casos em que já houve formalização deste fato, através de parecer técnico
ou outro documento emitido pela CETESB.
As etapas do
gerenciamento refletem o estágio atual dos trabalhos:
Investigação detalhada
- a área sofreu uma investigação suficiente para o entendimento do cenário
da contaminação, caracterização de fontes, identificação de
receptores de risco e determinação de dimensões, no mínimo aproximadas,
das plumas de contaminação.
Avaliação de risco
- foi realizada uma avaliação de risco a saúde humana, utilizando as
metodologias reconhecidas internacionalmente.
Concepção de intervenção
- a concepção da intervenção está estabelecida, mesmo que não englobe
ainda todas as contaminações presentes e mesmo que não tenha sido
formalmente aprovada.
Projeto de remediação
- O projeto de remediação foi elaborado, parcial ou completamente
desenvolvido, aprovado ou não.
Execução da remediação
- Remediação sendo atualmente efetuada, mesmo que de forma parcial, quer
os procedimentos tenham sido aprovados ou não.
Monitoramento -
monitoramento da eficiência do sistema de remediação ou monitoramento
ambiental da área. |
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